Arthur Lira, a última chance de Bolsonaro

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Nas eleições gerais de 2018, o presidente Bolsonaro (sem partido) elegeu-se na crista de um tsunami que garantiu ao PSL (seu partido, naquele momento) as maiores bancadas na Alesp e na Alerj , com 15 e 13 deputados, respectivamente, além da segunda maior bancada da Câmara dos Deputados (52 parlamentares, 4 a menos que a bancada petista).

O triunfo inegável de Bolsonaro na Câmara Federal, embora bem mais tímido no Senado, foi coroado com a eleição de seus candidatos à presidência de ambas as Casas: Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre (ambos do DEM), respectivamente. Eles eram a promessa de um Congresso Nacional alinhado ao Planalto.

Na contramão das expectativas, também é inegável que o desempenho do Governo Federal foi abaixo do que poderia alcançar. O tripé reformista almejado pela Equipe Econômica, Previdência, administrativa e tributária, foi diversas vezes sabotado. Sabotado pelos problemas internos do PSL, pela irracionalidade presente em parte da militância bolsonarista e pela invariável irresponsabilidade do presidente.

Bolsonaro desidratou a Reforma da Previdência antes mesmo de a proposta iniciar seus trâmites legais. A PEC foi prejudicada pela má conduta de Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes, no trato com o Congresso. Este último, inclusive, recebeu dos internautas o apelido de “Palestrinha Guedes” e “Papo Guedes”.

O superministro surgiu dezenas de vezes para prometer o envio das reformas “na próxima semana”. Guedes chegou a afirmar que a demora na apresentação da Reforma Administrativa era opção política, pois o texto já estava pronto há tempos. Faltou bom senso a ambos, o que custou credibilidade à Equipe Econômica e colaborou com os inúmeros desgastes sofridos pelo Governo Federal.

Falando em desgaste, é impossível não citar Carlos Bolsonaro, o filho 02 do presidente. O vereador geral da República sempre foi responsável pela gestão das redes sociais do pai, e de lá saíram pérolas prejudiciais à moral do Planalto, bem como estalos para conflitos desnecessários com Rodrigo Maia.

É evidente que Maia usou suas divergências com Bolsonaro como palanque político, todavia, é um erro isentar o presidente da culpa pelas falhas federais. Bolsonaro escolheu apoiar Maia e agora o culpa, por exemplo, pelas Medidas Provisórias que caducaram. Uma boa desculpa, mas não eterna.

Em 1º de fevereiro, uma nova eleição definiu as mesas diretoras da Câmara e do Senado. Novamente, Bolsonaro preteriu um candidato ideal e manifestou apoio ao possível. Na Câmara, Arthur Lira (PP), e no Senado, Rodrigo Pacheco (DEM). A escolha pelo viável pode ser um sinal de apreço pela governabilidade, algo muito exigido do presidente, mas também pode levá-lo ao mesmo erro que travou sua primeira metade do mandato. Uma metade deficitária, considerando o quanto foi prometido.

Se Baleia Rossi (MDB), o candidato de Maia, vencesse, Bolsonaro ainda teria a desculpa de que está de mãos atadas. Contudo, já que Lira venceu, o eventual fracasso presidencial recairá, inevitavelmente, sobre a cabeça do capitão.

Para realizar grandes conquistas, como a privatização de estatais renomadas, Bolsonaro precisará do apoio do Congresso. O atual presidente da Câmara tem, em síntese, poder para determinar se a reeleição do “mito” é provável ou não.

Considerando o cenário político atual e o histórico de Jair Bolsonaro, Arthur Lira é sua última chance de provar que merece a faixa presidencial. Uma improvável chance.

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