André do Prado, Alexandre Curi e a independência entre os poderes

As eleições para o Senado em São Paulo e no Paraná possuem um componente em comum: nos dois casos, um dos candidatos é o presidente da Assembleia Legislativa do estado. Políticos têm todo o direito de se candidatar, no entanto, não te soa estranho que eles sejam parte da chapa do governador?

Os presidentes das Casas Legislativas são como mediadores e, em certos casos, árbitros. Eles podem ter posicionamentos próprios e agirem conforme suas convicções, todavia, se o presidente é governista, o equilíbrio entre os Poderes fica em risco.

Esses presidentes possuem poder para ajudar o governo e atrapalhar a oposição. Eles podem, por exemplo, descumprir alguma norma regimental e acelerar ou atrasar alguma votação de interesse do governo. Tal poder é intrínseco ao cargo e espera-se que seja usado da maneira correta, porém, o que devemos pensar quando André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, diz que é “braço direito” do governador Tarcísio de Freitas?

Olhando pelo outro ângulo, o que foi que Alexandre Curi (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, fez para o governador Ratinho Junior (PSD) apoiá-lo em sua candidatura a senador? A mesma pergunta vale para a relação entre André e Tarcísio (Republicanos).

Não estou dizendo que André e Curi fizeram manobras fora do regimento interno das assembleias nem que há alguma vinculação corrupta ou imoral entre eles e os governadores mencionados, contudo, não é de bom tom que o árbitro apareça com a camisa de uma das equipes que disputou o campeonato.

O mero apoio não é uma novidade. Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara dos Deputados, declarou apoio à reeleição do presidente Lula, enquanto Arthur Lira (PP), seu antecessor, literalmente vestiu a camisa da campanha do ex-presidente Bolsonaro.

O que considero especialmente grave é André do Prado ser apresentado como “braço direito” do governador. Ora, o Poder Legislativo paulista esteve a serviço do Poder Executivo? Os Poderes devem ser independentes e harmônicos, não subservientes. Não estou dizendo que a Alesp foi subserviente a Tarcísio, mas essa apresentação do André fomenta a suspeita.

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