
A vitória do presidente Jair Bolsonaro (PSL) é reflexo de diversos eventos, os quais provocaram um sentimento intenso nos brasileiros. Um marco a ser ressaltado é o julgamento do Mensalão, que tornou Joaquim Barbosa um herói nacional, mesmo que temporariamente, posto agora ocupado pelo novo ministro da Justiça e da Segurança Pública Sergio Moro.
Os escândalos de corrupção dos governos petistas elevaram a exaltação da honestidade por boa parte do eleitorado. Some isso à histórica preocupação com segurança, o caos nas instituições e a crença em alguém de “pulso firme” que possa resolver os problemas e nós temos Bolsonaro.
Enquanto as denúncias dos esquemas de corrupção cresciam exponencialmente, a procura de parte do eleitorado por alguém que o representasse também cresceu. Ironicamente, o político adotado pelos antissistema foi justamente um deputado federal inexpressivo, que, em sete mandatos, mais ladrou do que mordeu.
As Jornadas de Junho (2013) e as manifestações pró-Impeachment (2015 – 2016) completam a linha temporal que nos levou até as eleições de 2018. Bolsonaro foi um visionário que acreditou na possibilidade de saltar de um lugar pouco relevante para o posto mais alto da República. Seja sorte, coincidência ou destino, o capitão reformado continha os elementos populares que o levariam a ser conhecido por todo o país. Seu nome era bradado na internet, pelos que o odiavam e pelos que o amavam. Recebido em aeroportos como uma celebridade, foi carregado em meio a uma multidão e pagou o preço pelo que o tornou um “astro”: um atentado político chegou muito perto de tirar-lhe a vida.
O eleitorado se cansou da velha política, o que ocasionou a vitória de diversos novatos, como os famosos da internet Kim Kataguiri e Arthur do Val, do DEM, além de Joice Hasselman (PSL). Essa é a prova de que a mudança que fora tanto desejada num passado recente, embora pareça muito distante, enfim se concretizou. Teremos um governo forte, embalado pelos militantes bolsonaristas, que o defenderão a todo custo, mas também teremos uma oposição motivada, cujos militantes vigiarão cada passo de Bolsonaro, em busca do menor sinal de corrupção ou falha de caráter.
Jair Bolsonaro trocou uma vida tranquila pelos perigos de ser um chefe de Estado carismático e controverso, cuja propensão a falar e fazer coisas inadequadas deixa o país à beira de um problema a cada nova declaração dele ou de seus aliados. O povo se cansou da mesmice e o adotou como seu representante contra as velhas práticas. Agora, o presidente tem a obrigação de romper com a dita velha política, resgatar o prestígio brasileiro e estabelecer novos parâmetros de qualidade para um presidenciável que, caso o gigante não durma novamente, nos levarão escolher o melhor, em vez de o menos pior, em 2022.
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