Ronaldo Caiado no PSD: a consolidação da direita alternativa

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, visa a presidência da República há muito tempo (foi candidato em 1989, inclusive). Ele chegou a fazer um evento para lançar sua pré-candidatura. A dificuldade interna no União Brasil era clara, porém, a decisão de migrar para o PSD foi surpreendente e mexeu com o tabuleiro da direita alternativa.

O cenário para mim era evidente: Caiado não seria cabeça de chapa, mas era um ótimo nome para vice, assim como a senadora Tereza Cristina (PP). Também me parecia claro que para Flávio Bolsonaro é melhor ter um vice mais “direita tradicional” do que um vice “nova direita”. Por esse motivo, acredito que Caiado faria bem a Flávio e me causa certo espanto esse afastamento definitivo.

Digo definitivo porque o PSD não dá sinais de que caminharia com Flávio. Suponho que o PL não deu ao Caiado, mas o PSD sim. Ser ministro da Justiça e Segurança Pública provavelmente não foi, já que é uma promessa que Flávio poderia fazer. Meus palpites são: garantia de ser pelo menos vice e/ou garantia de passar por uma disputa interna, como uma eleição prévia do PSD.

Talvez, talvez, Caiado tenha percebido que não teria espaço como vice do Flávio (posto que, a meu ver, pende para o Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro de Bolsonaro). Só a garantia de eleição interna parece muito pouco para alguém que agora tem menos chance de alcançar o cargo mais alto de sua carreira (digo isso porque ser vice do Flávio e vencer é mais fácil do que vencer como cabeça de chapa ou como vice do Ratinho Junior).

A mudança beneficiará Caiado nas pesquisas, pois não vai mais dividir votos com Ratinho. Por outro lado, de maneira geral, Ratinho sempre pontuou mais do que ele (pelo menos nos levantamentos nacionais do Paraná Pesquisas), então o provável é que siga pontuando, siga parecendo mais promissor.

Eu dizia que a suposta fragmentação da direita era um erro de avaliação, pois os muitos candidatos dificilmente permaneceriam até o fim. É o que está acontecendo. Dos quatro governadores presidenciáveis clássicos, dois estão no PSD, um tem zero tempo de TV (Romeu Zema) e o outro parece cada vez mais distante da presidência (Tarcísio de Freitas).

Na prática, existem dois candidatos fortes na oposição a Lula: Flávio e aquele que o PSD escolher.

Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, esteve no evento de lançamento da pré-candidatura de Caiado, e o governador conversou com a federação Solidariedade-PRD sobre a possibilidade de se filiar a um dos partidos (vi num site que foi o PRD).

Mesmo que Paulinho tenha alfinetado a ida de Caiado para o PSD, dado o contexto, eu não duvido que a federação se una ao bloco do PSD. Renata Abreu, presidente do Podemos, já foi elogiosa em palavras acerca de Ratinho Junior e a aliança entre eles parece próxima.

Considerando que PSDB e Cidadania estiveram com a então candidata Simone Tebet (MDB), eu diria que é bem possível se formar uma nova terceira via, com Ratinho sendo cabeça de chapa e Caiado vice, sendo apoiados por partidos médios e pequenos.

O outro lado

Sem Caiado no União Brasil, Flávio Bolsonaro perde um argumento óbvio e que provavelmente seria bem aceito pelo bolsonarismo: parte da participação do partido num eventual governo dele poderia ser exercida por Caiado no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ter outros nomes do União Brasil como ministros pode ser mais desgastante. Só que há o lado positivo. Agora o União Brasil tem um motivo a menos para recusar apoio a Flávio.

Considerações finais

Quando Caiado escolheu o PSD, encerrou uma bifurcação que causava uma dúvida em parte da direita. Agora o cenário é Lula vs Flávio vs candidato do PSD.

Restam no tabuleiro Romeu Zema (agora mais distante de ser vice na chapa do PSD), o MDB (que pode fazer qualquer coisa, inclusive nada) e o Republicanos (que, na minha opinião, tende a escolher entre acompanhar Flávio ou o PSD).

Observação: eu não quis dizer que o apoio da federação PRD-Solidariedade ao candidato do PSD é uma certeza, apenas vejo sinais de que pode acontecer.

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