
Em pesquisa divulgada ontem, 27, o Paraná Pesquisas apresenta vários cenários da eleição presidencial de 2026 e a avaliação do governo Lula. Nas simulações de segundo turno, há um dado importante: nas últimas quatro pesquisas, Bolsonaro pontuava cerca de 42%. Dentre elas, há duas em que vence e duas em que perde. Dessa vez, cresceu para 43,7%.
Se antes Bolsonaro vencia aparentemente por votos temporariamente perdidos por Lula, agora sua vitória é consistente. Lula caiu de 44,1% para 41,9%. É uma diferença pequena, mas a maior vantagem do ex-presidente na comparação com levantamentos feitos anteriormente pelo Paraná Pesquisas.
Em março, a vantagem era de 0,1%. Em maio, subiu para 0,3%, bem distante do 1,8% de novembro (em julho, Lula passou muito na frente, chegando a um 44,1% vs 41,9%).
O percentual de intenção de voto do Lula é bem variado. A liderança de Bolsonaro não significa que ele venceria, caso a eleição fosse hoje. Aqueles que não optaram por um dos candidatos são 14,4% e pesquisas são diferentes da eleição em si. Uma parte dessa pesquisa deixa claro o nível do empate entre o presidente e o ex-presidente.
Quanto ao potencial eleitoral, o Paraná Pesquisas tem quatro opções: com certeza votaria, poderia votar, não votaria de jeito nenhum, não conhece o suficiente para opinar e não sabe/não respondeu. A soma do “com certeza” ao “poderia” é, de certa forma, o teto eleitoral do candidato. Vamos aos números:
Bolsonaro – 51,1%
Lula – 50,3%
Michelle – 51,1%
Tarcísio – 53,2%
Bolsonaro está mais forte eleitoralmente e Michelle tem o mesmo teto que o marido. Por outro lado, Tarcísio vai mais longe. O percentual de pessoas que disse que não conhece o suficiente para opinar ou não sabe/respondeu, somado, é de 0,8% (Lula), 1,1% (Bolsonaro), 2,3% (Michelle) e 7,2% (Tarcísio). Vejo aí potencial para que Michelle alcance mais votos do que Bolsonaro e Tarcísio muito mais.
Entre a rejeição e o voto possível há essa área cinza. Podemos chamar o “potencial eleitoral” de “teto provisório”. Esse teto pode subir, conforme a área cinza vá decidindo em quem votar.
Esse é um detalhe essencial para a eleição. Lula e Bolsonaro têm muito apoio, mas também têm altos índices de rejeição. Bolsonaro poderia vencer Lula se a eleição fosse hoje, contudo, Tarcísio provavelmente receberia mais votos. Já que a justiça eleitoral tirou o ex-presidente do páreo, a chance de vitória da direita aumenta, na minha opinião.
Candidatos alternativos de direita
O Paraná Pesquisas incluiu nomes que podem substituir Bolsonaro como candidato da direita, só que, infelizmente, colocou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como adversário dos governadores do Paraná (Ratinho Junior) e de Minas Gerais (Romeu Zema). Isso reduz a precisão do percentual, já que é possível que eles tirem votos entre si.
A maior pontuação de Caiado acontece no cenário em que Ratinho Junior está. O goiano continua tendo intenção de voto significativamente menor do que seus adversários (8,9%). Ratinho chega a 15,3%, ficando em segundo. O terceiro é Ciro Gomes, que vence Zema.
Pelas minhas anotações, foram quatro pesquisas que mencionaram os governadores e todas apresentam a mesma ordem: Ratinho, Zema e Caiado. Parece-me que Caiado, entre os três, é quem mais se comporta como pré-candidato, mas, mesmo assim, não engrena (em nenhum cenário de novembro chega a dois dígitos de intenção de voto).
Com Zema perdendo para Ciro Gomes, Ratinho Junior continua sendo o principal candidato de direita não-bolsonarista.
Candidatos governistas alternativos
O Paraná Pesquisa também testou dois nomes governistas que podem concorrer em 2026: o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet. Tebet aparece em todos os cenários, alcançando dois dígitos quando Lula não é o candidato do PT.
Nos dois momentos sem Lula há um empate técnico triplo entre Haddad, Ciro Gomes e Tebet. No primeiro, enfrentando Bolsonaro, os números são:
Haddad – 14,5%
Ciro – 14,2%
Tebet – 13%
No segundo, enfrentando Michelle, os números são:
Ciro – 17%
Haddad – 14,9%
Tebet – 13,5%
Apesar de já ter sido candidato a presidente, Haddad, a meu ver, começa com um percentual baixo o bastante para ter seu nome contestado. Por outro lado, Tebet mostra que pode sonhar com voos mais altos do que o terceiro lugar que obteve em 2022. Ciro é o de sempre: forte e com potencial, mas parece-me que sua imagem foi arranhada nos últimos anos.
Avaliação do governo Lula
É nesse ponto que vem a pior notícia para a esquerda: a desaprovação da administração Lula chegou a 51%, o maior número no ano. O percentual de aprovação é de 46,1%, o menor no ano (não sei se o Paraná Pesquisas já identificou números piores para o governo).
Considerações finais
O levantamento de novembro do Paraná Pesquisas aponta que a chance de vitória da direita em 2026 aumentou, que Tarcísio tem maior potencial eleitoral do que o casal Bolsonaro, que Ratinho é o melhor candidato alternativo de direita e que tanto Ciro quanto Tebet são capazes de aglutinar uma quantidade expressiva de eleitores, mas dentro daquela margem que os governadores de direita também alcançam, ou seja, pouco perto dos candidatos mais fortes.
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