No último sábado (13), o São Paulo perdeu para o Fortaleza numa partida que foi de 0 a 100. O primeiro tempo indicava uma vitória tranquila para o tricolor paulista e o segundo parecia final de copa, não a primeira rodada do Brasileirão. O que houve de errado? A solução é demitir o técnico Thiago Carpini?
Não falarei sobre o Fortaleza, pois sou são paulino, não entendedor de futebol. Além disso, existem pontos bem contundentes sobre Carpini.
São Paulo x Cobresal foi um duelo marcado por bolas alçadas à área, que pareciam ser a única jogada do time e beneficiaram o clipe de melhores momentos do meia James Rodríguez.
Contra o Leão do Pici, no entanto, dribles e infiltrações geraram ações ofensivas (ou quase geraram). Isso já sinaliza que o trabalho de Carpini pode ter evoluído. Há duas falhas, a meu ver principais, no 3-5-2 armado pelo técnico.
A primeira é o lado esquerdo, que não funciona bem. Ferraresi e Igor Vinícius atuam de modo eficiente em conjunto, todavia, Diego Costa e Michel Araújo não. Trocar Diego por Alan Franco, também zagueiro, mas melhor na saída de bola, pode beneficiar o ala Michel Araújo. Se isso não for o bastante, Welington, lateral de oficio, poderia substituir Araújo.
Com o ataque pelos lados do campo resolvido, resta o abacaxi do terceiro homem do meio, o articulador principal. James ocupou esse papel contra o Cobresal, entretanto, pelo seu físico, não podemos contar com ele para todas as partidas – e talvez nem tenha mobilidade para ser esse armador solitário e razoavelmente recuado.
Devido ao desgaste físico, James foi trocado por Galoppo para a partida contra o Fortaleza, e aqui começa uma série de grandes erros do Carpini. Galoppo é mais um finalizador do que um armador, embora ache passes interessantes. Não à toa destacou-se pelos gols e jogou como falso 9 no começo de 2023.
No segundo tempo, Galoppo saiu e James entrou, o mesmo James que, segundo Carpini, sequer seria relacionado por conta de sua condição física. Vale lembrar que Calleri aparentemente jogou no sacrifício contra o Cobresal e não foi poupado nessa partida.
O time foi perdendo força, James decepcionou e veio o primeiro gol do Fortaleza. Em vez de engrossar o meio-campo com o versátil volante Bobadilla, Carpini trocou os alas por pontas, desprotegendo mais o miolo. Veio o segundo gol nordestino, depois de um contra-ataque iniciado após um cruzamento errado feito por William Gomes, o ponta esquerda.
Carpini tinha nas mãos o empate, que seria um resultado insatisfatório diante do bom desempenho da equipe, mas quis vencer e colocou James. O barco começou a afundar e ele abriu mais o time com William e Erick. Mesmo vendo o desespero ofensivo do time destruí-lo, Carpini deu mais um passo em direção ao abismo: colocou Nestor, um meia mais armador, no lugar de Alisson, um meia mais marcador.
O técnico novato não apenas errou como insistiu no erro, com o agravante de colocar em risco a saúde de Calleri e James (além de ter usado Nestor, recém-recuperado de lesão). Isso é grave o bastante para valer a demissão, só que Carpini foi uma aposta, nunca havia treinado um clube da Série A e está jogando cada partida como se o emprego dele dependesse daquilo (e, de fato, depende).
É injusto manter esse peso no técnico ou demiti-lo. Contratar Carpini era arriscado e demiti-lo é admitir que a contratação foi um erro. A situação financeira do São Paulo não dá espaço para apostas. Precisamos de certezas, premiações e boas vendas de atletas.
O que vale mais: o tempo necessário para um técnico novato fazer o time obter resultados positivos ou a necessidade de conseguir resultados imediatos?
Demitir Carpini é uma decisão válida, assim como mantê-lo. Ruim com ele, melhor com quem? Escolher Carpini foi uma atitude que pode levar o São Paulo para o buraco em pouco tempo, e não há mais “intertemporada” para o novo técnico treinar o time antes de lidar com as competições.
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